Solenidade de São Pedro e São Paulo - Ano C

Reflexão Bíblica: Mateus 16,13-19.

30/06/2019

1. Oração Inicial

SENHOR DA VIDA, vossa Palavra é a fonte viva. Enviai o vosso Espírito Santo para chegarmos a ela e compreendê-la. Dai-nos também a graça, a vontade e a coragem necessárias para vive-la em nossas vidas. AMÉM.

2. Leitura: O que diz o texto?

a) Introdução: Desde o século III que a Liturgia une na mesma celebração as duas colunas da Igreja, Pedro e Paulo. Mestres inseparáveis de fé e de inspiração cristã pela sua autoridade, simbolizam todo o Colégio Apostólico. Pedro era natural de Betsaida, onde exercia a profissão de pescador. Jesus chamou-o e confiou-lhe a missão de guiar e confirmar os irmãos na fé. Paulo de Tarso, perseguidor decidido da Igreja, converte-se no caminho de Damasco. A partir daí, a sua vivacidade e brilhantismo são postos ao serviço do Evangelho.

b) Leitura do texto: Façamos uma leitura atenta, pausada e reflexiva. Procurando descobrir a mensagem de fé que o evangelista quis transmitir a sua comunidade.

c) Um momento de silêncio orante: Façamos um tempo de silêncio, para que a Palavra de Deus possa penetrar nossos corações e iluminar nossa vida.

d) O que diz o texto?

  1. Como o povo reconhecia Jesus?
  2. Quem responde quando Jesus dirige a pergunta aos discípulos? E quem ele considera que é Jesus?
  3. Segundo a resposta de Jesus, qual a fonte da resposta de Pedro?
  4. Com quais elementos Jesus anuncia a Pedro a sua missão e da Igreja?

Para aprofundar no texto

O texto de hoje consta de duas partes: a resposta de Pedro acerca da messianidade de Jesus, Filho de Deus (vv. 13-16) e a promessa do primado que Jesus confere a Pedro (vv. 17-19). O povo reconhecia Jesus como um profeta. Mas os Doze têm uma opinião muito própria, que é expressa por Pedro: Jesus é o Messias, o Filho de Deus (cf. v. 16). Essa opinião, mais do que baseada na experiência que tinham de Jesus, era fruto da ação do Espírito neles: "não foi a carne nem o sangue que te revelou isso, mas o meu Pai que está no Céu." (v. 17). Por causa desta confissão, Pedro será a rocha sobre a qual Cristo edificará a sua Igreja. A Pedro e aos seus sucessores é confiada a missão de serem o fundamento visível da realidade invisível que é Cristo Ressuscitado. O poder de ligar e desligar, expresso na metáfora das chaves, indica a autoridade sobre a Igreja.

Celebrar os Apóstolos Pedro e Paulo é um testemunho de fé na Igreja "una, santa, católica, apostólica". Pedro é, efetivamente, a pedra que se apoia diretamente sobre a pedra angular que é Cristo. Pedro, e Paulo são os últimos elos de uma corrente que nos liga a Jesus. Celebrando Pedro e Paulo celebramos os "fundadores" da nossa fé, os progenitores do povo cristão. Ambos foram martirizados em Roma, na perseguição de Nero, por volta do ano 64 d. C.

O Novo Testamento permite-nos reconstruir, o itinerário da vida dos dois apóstolos e dar-nos conta da gratuidade da escolha divina. Pedro era um pescador da Galileia. Passava os dias no lago de Tiberíades, com o seu pai Jonas e com o seu irmão André. O seu trabalho consistia em lançar as redes, esperar, retirá-las e, depois, à tarde, remendá-las, sentado na margem.

Foi aí que, uma tarde, quando lançava as redes para uma última pescaria, ouviu, com o seu irmão, o chamamento de Jesus que passava: "Segui-me; farei de vós pescadores de homens" (Mc 1, 17). Começou, assim, a sua extraordinária aventura; seguiu o Mestre da Galileia para a Judeia; daí, depois da morte de Jesus, percorreu a Palestina, até se mudar para Antioquia e, daí, chegou finalmente a Roma.

Em Roma animou a fé dos crentes, esteve preso, e foi morto no Vaticano, onde ficou para sempre, não só com o seu túmulo, mas também com o seu mandato: ficou naqueles que lhe sucederam naquela que os cristãos chamaram sempre "a cátedra de Pedro", até ao papa que hoje governa a Igreja. Nele, Pedro continua a ser "a rocha", sobre a qual Cristo continua a edificar a sua Igreja, o sinal da unidade para "aqueles que invocam o nome do Senhor". Não muito longe de Pedro, repousa Paulo que, de perseguidor, se tornou o Apóstolo dos Gentios, o missionário ardoroso do Evangelho. O seu martírio revelou a substância da sua fé. O trabalho evangelizador das duas colunas da Igreja apoia-se, não sobre uma mensagem intelectual, mas sobre uma atividade profunda, sofrida e testemunhada com a palavra de Jesus.

O lugar de Pedro e dos seus sucessores não é um cargo honorífico ou uma recompensa de méritos. É um serviço, o serviço de apascentar as ovelhas do Senhor: "Apascenta as minhas ovelhas", disse Jesus (Jo 21, 15ss). Com o dever de dar testemunho d´Ele, Jesus confiou a Pedro a sua própria missão de Servo e Pastor. Testemunha de Cristo, pastor e servo dos crentes são prerrogativas que, de Cristo passaram a Pedro e, de Pedro, aos seus sucessores, os bispos de Roma.

Pedro é o continuador de Cristo, o substituto, o vigário de Cristo. É de certo modo o Cristo velado, como na Eucaristia. O seu ensino é o de Cristo. É o instrumento do Coração de Jesus... Nosso Senhor prometeu antecipadamente a Pedro a sua primazia, que é a continuação do poder de Cristo: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as potências do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16, 18). “Dar-te-ei as chaves do reino dos céus: tudo o que ligares será ligado e tudo o que desligares será desligado” (Mt 16, 19). “Quando fores convertido, confirmarás os teus irmãos” (Lc 22, 32). Quando chegou o dia, Nosso Senhor realizou a sua promessa. Transmitiu a Pedro a sua autoridade de pastor: “Pedro, porque me amas muito, porque me amas mais do que os outros, apascenta os meus cordeiros, apascenta as minhas ovelhas”. Pedro, pastor supremo da Igreja, é depositário e administrador de todos os dons do Coração de Jesus. Preside à administração dos sacramentos... Abre e fecha o tesouro do Coração de Jesus.

Rezemos pelo Santo Padre, sucessor de Pedro, para que Ele, que o confiou uma tal missão, o ilumine e o torne, cada vez mais, capaz de confirmar na fé os seus irmãos.

3. Meditação: O que o texto nos diz, hoje, para nossa vida?

a) A pergunta de Jesus também vai dirigida a nós hoje, como Igreja, comunidade, e a cada um pessoalmente: Quem é Jesus para mim? Quem é ele para nós?

b) A fé em Jesus implica em mudança de vida. Qual é a missão que decorre daí?

c) Como compartilhamos com as outras pessoas nossa experiência de encontro com Jesus Cristo?

4. Oração: O que dizemos a Deus depois de ouvir e meditar sua Palavra?

Colocamos em forma de oração tudo o que refletimos sobre o Evangelho e sobre nossa vida:

“Tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja.”

- Cada um pode fazer sua oração pessoal, rezar o Salmo 33(34) e concluir com a oração do Pai Nosso.

5. Contemplar o rosto de Deus encotrado no texto e comprometer-nos com a transformação da realidade

Compromisso: Viver com solidez a fé recebida por meio dos Apóstolos Pedro e Paulo. Ofereça ao Senhor alguma atitude concreta para viver esta semana.

Levemos uma “palavra”: Pode ser um versículo ou uma frase do texto. Tente guarda-lo de cor e encontre um momento a cada dia para recordá-la e ter um momento de oração, onde você possa voltar a conversar com o Senhor.

6. Oração Final

PAI DE BONDADE, ajudai-nos a crer em Jesus e seguir seus passos. Dai-nos fé para reconhecer a presença dele entre nós, vivo nos sofredores e excluídos. Ajudai-nos a reconhecê-lo para aprender da vida dele e comprometer a nossa na realização da vossa vontade, o Reino da Vida, da justiça e do amor. AMÉM.

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