19º Domingo do Tempo Comum - Ano C

Lucas 12,32-48

11/08/2019

1. Oração Inicial

SENHOR NOSSO DEUS E PAI, envie sobre nós um Espírito Santo, que nos ajuda a ler e meditar sua Palavra, ajuda-nos a manter sempre atentos e vigilantes para descobrir sua presença na Palavra, na Eucaristia, em nossos irmãos e irmãs, e em toda a natureza. AMÉM.

2. Leitura: O que diz o texto?

a) Introdução: Jesus convida-nos à vigilância: o verdadeiro discípulo não vive de braços cruzados, numa existência de comodismo e resignação, mas está sempre atento e disponível para acolher o Senhor, para escutar os seus apelos e para construir o “Reino”.

b) Leitura do texto: Leiamos este texto de Lucas (12,32-48) com muita atenção, buscando descobrir a mensagem de fé que o evangelista quis transmitir à sua comunidade. Pode-se lê-lo uma segunda vez.

c) Um momento de silêncio orante: Façamos um tempo de silêncio, para que a Palavra de Deus possa penetrar nossos corações e iluminar nossa vida.

d) O que diz o texto?

1) A que grupo Jesus se dirige no texto de hoje e que imagem escolhe para se referir a este?

2) Qual o estilo literário que mais aparece no texto?

3) Qual o tema dominante nesta catequese de Jesus? E qual a sua importância para a vida do discípulo?

4) Qual das parábolas lhe chama mais a atenção?

Para aprofundar no texto

Continuamos a percorrer o “caminho de Jerusalém”. Desta vez, Jesus dirige-Se explicitamente ao grupo dos discípulos (designado como “pequeno rebanho” – cf. Lc 12,32). Nas catequeses anteriores, Jesus falou sobre o desprendimento face aos bens da terra (cf. Lc 12,13-21) e sobre o abandono nas mãos de Deus (cf. Lc 12,22-34); agora, Jesus vai mostrar o que é necessário fazer para que o “Reino” seja sempre uma realidade presente na vida dos discípulos e para que os “tesouros” deste mundo não sejam a prioridade: trata-se de estar sempre vigilante, à espera da vinda do Senhor. Na realidade, Lucas junta aqui parábolas que devem ter aparecido em contextos diversos; mas todas estão ligadas pelo tema da vigilância. O nosso texto começa com uma referência ao “verdadeiro tesouro” que os discípulos devem procurar e que não está nos bens deste mundo (v. 33-34): trata-se do “Reino” e dos seus valores. A questão fundamental é: como descobrir e guardar esse “tesouro”? A resposta é dada em três quadros ou “parábolas”, que apelam à vigilância. A primeira parábola (v. 35-38) convida a ter os rins cingidos e as lâmpadas acesas (o que parece aludir a Ex 12,11 e à noite da primeira Páscoa, celebrada de pé e “com os rins cingidos”, antes da viagem para a liberdade), como homens que esperam o senhor que volta da sua festa de casamento. Os discípulos são, assim, convidados a estarem preparados para acolher a libertação que Jesus veio trazer e que os levará da terra da escravidão para a terra da liberdade; e são também convidados a acolherem “o noivo” (Jesus) que veio propor à “noiva” (a Igreja) a comunhão plena com Deus (a “nova aliança”, representada na teologia judaica através da imagem do casamento). A segunda parábola (v. 39-40) aponta para a incerteza da hora em que o Senhor virá. A imagem do ladrão que chega a qualquer hora, sem ser esperado, é uma imagem estranha para falar de Deus; mas é uma imagem sugestiva para mostrar que o discípulo fiel é aquele que está sempre preparado, a qualquer hora e em qualquer circunstância, para acolher o Senhor que vem. A terceira parábola (v. 41-48) parece dirigir-se (é nesse contexto que a pergunta de Pedro nos coloca) aos responsáveis da comunidade. Nas palavras originais de Jesus, a parábola devia ser uma crítica aos responsáveis do Povo de Israel; mas, na interpretação de Lucas, a parábola dirige-se aos animadores da comunidade cristã, que devem permanecer fiéis às suas tarefas de animação e de serviço: se algum deles descuida as suas responsabilidades no serviço aos irmãos e usa as funções que lhe foram confiadas de forma negligente ou em benefício próprio, será castigado. Nos dois últimos versículos, o castigo diversifica-se de acordo o tipo de desobediência: os que desobedeceram intencionalmente serão mais castigados; os que desobedeceram não intencionalmente serão menos castigados. A referência às “chicotadas” deve ser entendida no contexto da linguagem dos pregadores da época e manifesta a repulsa de Deus por aqueles que negligenciam a missão que lhes foi confiada. Provavelmente Lucas tem diante dos olhos o exemplo de alguns animadores cristãos que, pela sua preguiça ou pela sua maldade, perturbavam seriamente a vida das comunidades a que presidiam. Em qualquer caso, estas linhas sublinham a maior responsabilidade daqueles que, na Igreja, desempenham funções de responsabilidade… A última afirmação (“a quem muito foi dado, muito será exigido, a quem muito foi confiado, mais se lhe pedirá – v. 48b) é claramente dirigida aos responsáveis da comunidade; mas pode aplicar-se a todos os que receberam dons materiais ou espirituais.

3. Meditação: O que o texto nos diz, hoje, para nossa vida?

Não é necessário responder a cada pergunta. Selecionar as mais significativas para o grupo. O importante é conhecer e aprofundar o texto, refletir e descobrir seu sentido para nossa vida.

a) O que nos distrai, nos prende, nos aliena e nos impede de acolher o dom contínuo de vida que Jesus oferece aos seus discípulos?

b) Estamos conscientes de que ser cristão não é um trabalho com hora marcada, ou um “hobby” para as horas vagas, e que o ser cristão é como um selo que marca a existência do batizado e que a exigência do Reino compromete todas as nossas ações e palavras?

c) Estamos atentos às responsabilidades que somos chamados a assumir dentro as funções que exercemos na comunidade? Ao exercer ministérios dentro da Igreja nos comportamos como servos que, com humildade e simplicidade cumprem as tarefas que lhes foram confiadas, ou como ditadores que manipulam os outros a seu bel-prazer?

4. Oração: O que dizemos a Deus depois de ouvir e meditar sua Palavra?

Colocamos em forma de oração tudo o que refletimos sobre o Evangelho e sobre nossa vida:

“Vós também ficai preparados!”.

- Cada um pode fazer sua oração pessoal, rezar o Salmo 32(33)1.12-22 e concluir com a oração do Pai Nosso.

5. Contemplar o rosto de Deus encontrado no texto e comprometer-nos com a transformação da realidade.

Compromisso: Manifestar nas atitudes cotidianas onde está o verdadeiro tesouro. Ofereça ao Senhor alguma atitude concreta para viver esta semana.

Levemos uma “palavra”: Pode ser um versículo ou uma frase do texto. Tente guarda-lo de cor e encontre um momento a cada dia para recordá-la e ter um momento de oração, onde você possa voltar a conversar com o Senhor.

6. Oração final.

Neste mês de agosto, rezemos por todas as vocações: à vida familiar, à vida religiosa, sacerdotal e todas as formas de vida dedicadas ao serviço do Reino de Deus:

JESUS, MESTRE, DIVINO, que chamastes os apóstolos a vos seguirem, continuai a passar pelos nossos caminhos, pelas nossas famílias, pelas nossas escolas, e continuai a repetir o convite a muitos de nossos jovens. Dai coragem às pessoas convidadas. Dai forças para que vos sejam fiéis como sacerdotes, como diáconos, como religiosos e religiosas, para o bem do povo de Deus e de toda a humanidade. AMÉM.